
O professor de Geografia Antônio Fernando Amaral, responsável pela OCA de Sustentabilidade (Oficina de Conhecimento Ampliado) do São Vicente, é nosso entrevistado de hoje. Com uma trajetória que une experiências nas áreas exatas e humanas, Tonico – como é conhecido pela comunidade escolar – traz uma abordagem integral e inovadora para o ensino de sustentabilidade, contemplando desde práticas ambientais até reflexões sociais e filosóficas.
A OCA de Sustentabilidade é um espaço multidisciplinar criado no colégio em 2019, dedicado a promover consciência ecológica, responsabilidade social e autoconhecimento junto aos estudantes do Ensino Médio. A oficina vai muito além do contato direto com a Mata Atlântica restaurada nos terrenos do colégio: ela incentiva práticas como permacultura, meditação, reflexão sobre consumo e debates sobre temas atuais como os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), diversidade e regeneração ambiental. O projeto, orientado para transformar conhecimento em ação, inspira jovens a desenvolver uma ecologia integral e um olhar cuidadoso sobre o planeta, as pessoas e sobre si mesmos, preparando-os para serem agentes de transformação em sua comunidade e na sociedade.
Como surgiu a OCA de Sustentabilidade e qual é sua proposta central?
Tonico: A OCA de Sustentabilidade nasceu em 2019. Inicialmente, focou em restaurar uma área de Mata Atlântica no colégio, mas evoluiu para tratar sustentabilidade como uma ecologia integral, envolvendo não só a natureza, mas as relações humanas e a responsabilidade individual.
Como tem sido a experiência com estudantes?
Tonico: Os alunos ficam curiosos com a mata e o trabalho prático de restauração, mas para realmente cuidar, é preciso conhecer. A oficina incentiva atividades além da contemplação da floresta, como meditação, reflexão sobre consumo, e dialoga com temas ligados à permacultura e à responsabilidade coletiva.
Que valores e práticas sustentáveis são trabalhados nas oficinas?
Tonico: Evoluímos de três para cinco “erres” (Refletir, Recusar, Reduzir, Reciclar e Reutilizar) e, recentemente, foram incorporados o “R” de responsabilidade – compreender o impacto pessoal nas escolhas – e o de regeneração, refletindo uma abordagem ativa de restauração ambiental e cultural. Isso envolve não só diminuir impactos negativos, mas também buscar reverter danos e fomentar conexões profundas com o entorno.
Qual a importância da permacultura neste contexto?
Tonico: A permacultura inspira uma “cultura permanente”, ou seja, construir empatia duradoura entre os estudantes e deles com o meio ambiente. O objetivo é que cada ação seja feita com sentido, consciência coletiva e responsabilidade social, indo além do modismo da sustentabilidade e buscando transformações reais.
Como os estudantes fazem seus trabalhos de conclusão (TCC)?
Tonico: O TCC é realizado em grupos (até quatro alunos), guiado por professores orientadores que propõem temas relevantes. Diferente da academia, aqui o TCC é visto como uma antecipação da vida universitária, estimulando planejamento, pesquisa e escolha de temas de real interesse dos alunos, o que aumenta o envolvimento e o aprendizado prático.
Qual expectativa você tem sobre o impacto de longo prazo da OCA e dos projetos de sustentabilidade?
Tonico: Mesmo que apenas três alunos entre cem sejam profundamente transformados, isso já vale a pena. O objetivo é plantar pequenas sementes que, ao longo da vida, influenciem decisões e comportamentos, seja em pequenas escolhas, seja em trajetórias profissionais inspiradoras – como os ex-alunos que hoje atuam em áreas ambientais e sociais.







