
Professora responsável pela Oficina de Bioética do São Vicente, Natasha Obeid El Jamal é formada em Química pela UFF, mestre em Ensino de Ciências (com ênfase em História e Filosofia da Ciência) e doutoranda em Educação. Natasha traz uma sólida formação transdisciplinar para o contexto escolar, abordando temas complexos e atuais através de uma ética aplicada voltada à ciência, saúde e sociedade.
A Oficina de Bioética integra o núcleo de “Ciência, Tecnologia e Sociedade” das Oficinas de Conhecimento Ampliado (OCA) do Colégio. Trata-se de um espaço singular dentro da educação básica brasileira, já que o tema da bioética tradicionalmente faz parte do currículo de cursos universitários da área da saúde.
Normalmente frequentada por estudantes do primeiro e segundo ano do Ensino Médio, a Bioética se tornou um espaço valorizado por jovens interessados em saúde, direito, comunicação, política e questões sociais, alinhando-se à proposta do São Vicente de formar agentes de transformação social e cidadãos preparados para refletir, argumentar e contribuir com uma sociedade ética, informada e plural.
Qual é o objetivo principal da Oficina de Bioética e quais temas são abordados?
Natasha: O objetivo é trazer a multidisciplinaridade da bioética, promovendo debates sobre conflitos morais da ciência e da saúde, tanto em práticas históricas quanto em práticas atuais. Abordamos temas como eugenia, determinismo biológico, racismo médico, ética em pesquisa científica, saúde pública, reforma psiquiátrica, clonagem, seleção genética em fertilização in vitro, direitos reprodutivos, doação de órgãos, eutanásia, transgênicos, armas químicas e nucleares, fake news, entre outros.
Como funciona a dinâmica dos debates na oficina e como os estudantes se envolvem?
Natasha: Trabalhamos com metodologia de debates dialéticos, onde os alunos argumentam, confrontam ideias, e tentam chegar a consensos éticos. Muitos escolhem primeiro a oficina de retórica para aprender a debater e depois ingressam na bioética. Outros buscam bioética visando carreiras em saúde e direito. O engajamento é alto, pois os temas exigem posicionamento crítico e autonomia criativa.
Quais são os projetos de TCC orientados por você atualmente?
Natasha: Tenho orientado estudantes que desenvolvem pesquisas e trabalhos bem diversificados, que incluem temas como: a influência das redes sociais no aumento dos procedimentos estéticos entre mulheres e jovens; armas nucleares e sua influência geopolítica; e pesquisa e divulgação científica na área do meio ambiente.
Como você vê a importância da sua oficina na formação de agentes de transformação social?
Natasha: A bioética promove consciência crítica e autonomia, para que os alunos possam analisar casos, se posicionar frente a dilemas éticos e criar soluções. A oficina estimula o debate e posicionamento dos estudantes diante das polêmicas contemporâneas – tanto individuais quanto coletivas – reforçando o papel do colégio na formação de cidadãos ativos e críticos.
Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e a Inteligência Artificial também são abordados?
Natasha: Sim, são temas fundamentais e aparecem de forma interdisciplinar. Discutimos ODS relacionados à saúde, igualdade, justiça social e educação. Inteligência artificial entra em debates sobre desinformação e fake news, inclusive envolvendo pesquisas de opinião realizadas pelos alunos nas ruas sobre imagens geradas digitalmente.
Que atividades recentes marcaram a oficina e o que vem por aí?
Natasha: Realizamos uma pesquisa sobre o SUS, assistimos séries e entrevistas sobre saúde pública e recebemos uma residente de psicologia da Maternidade Escola da UFRJ para debater a maternidade de risco. Além disso, planejamos abordar novos temas, como o atual perfil dos anabolizantes, e receber novos convidados para conversar sobre os assuntos: saúde mental no SUS, invisibilidade feminina na ciência e na sociedade e cultura oceânica, explorando a relação entre oceano e mudanças climáticas.




